Índole ou TOD? Conheça o Transtorno Opositor Desafiador

Quem de nós nunca se deparou com uma criança extremamente opositiva, desafiadora, que discute por qualquer coisa, que não assume seus erros ou responsabilidades por falhas e que costuma...

Quem de nós nunca se deparou com uma criança extremamente opositiva, desafiadora, que discute por qualquer coisa, que não assume seus erros ou responsabilidades por falhas e que costuma sempre se indispor com os demais de seu grupo ou de sua família de maneira a demonstrar que a cada situação será sempre difícil convencê-lo, mesmo que a lógica mostre que suas opções estão evidentemente equivocadas? Se você conhece uma criança assim, provavelmente ela tem TOD: Transtorno Opositor Desafiador.

Essas crianças costumam ser discriminadas, perdem oportunidades e desfazem círculos de amizades. Não raramente, sofrem bullying e são retiradas de eventos sociais e de programações da escola por causa de seu comportamento difícil. Os pais evitam sair ou passear com elas e muitas vezes as deixam com parentes ou em casa. Entre os irmãos, são preteridos, mal falados e considerados como “ovelhas negras” tratados, assim, diferentes e mais criticados pelos pais.

Os sintomas podem aparecer em qualquer momento da vida, mas é mais comum entre os 6 e 12 anos. Mas antes, vamos ver quais são os “critérios diagnósticos” para o TOD definido pelo Manual de Diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-5).

A criança apresenta um padrão de comportamento negativista, hostil e desafiante que dure, pelo menos, 6 meses, durante o qual 4 ou mais dos sintomas abaixo estão presentes:

1. Muitas vezes perde a calma
2. Frequentemente discute com adultos
3. Muitas vezes ativamente desafia ou se recusa a cumprir as regras ou comandos dos adultos
4. Muitas vezes incomoda as pessoas deliberadamente
5. Muitas vezes culpa os outros por seus próprios erros ou mau comportamento
6. É suscetível ou facilmente aborrecido pelos outros
7. Frequentemente apresenta raiva e ressentimento
8. Frequentemente é rancoroso ou vingativo
Pelo que podemos concluir, uma criança com TOD é uma criança “mal-educada”, respondona, metida, birrenta e rebelde.

Este padrão de comportamento é uma doença? É decorrente de uma educação ineficiente? É uma associação entre uma educação malconduzida em uma criança de temperamento difícil? Ou é só uma criança difícil de lidar?

Na verdade, o diagnóstico do TOD é constituído a partir de um conjunto de comportamentos, mas as causas são multifatoriais, ou seja, diversos fatores, desde a genética até problemas na educação, podem estar por trás do quadro clínico.

O fator complicador é que raramente uma criança tem um TOD isolado. Segundo 2 famosos pesquisadores de Harvard (Faraone e Biederman) o TOD é uma patologia que raramente vem sozinha:

80% destas crianças também tem TDAH.
30% tem Depressão Severa associada.
20% tem Transtorno Bipolar.
21 % das crianças com TOD tem um Transtorno de Linguagem.
38% destas crianças tem um Transtorno de Ansiedade.

A associação com TDAH é frequente (50% dos casos), deve ser observada e investigada em todas estas crianças para que sejam tomadas as medidas necessárias, a fim de prevenir problemas de aprendizagem e baixo rendimento escolar.

O ambiente doméstico costuma ser conturbado, com pais divergentes quanto ao modo de educar e conduzir o (a) filho (a) e de como estabelecer parâmetros, mas evidências mostram que existem fatores genéticos e neurofisiológicos predispondo o seu desenvolvimento.

O tratamento desta condição é multidisciplinar e depende de três eixos: medicação, psicoterapia comportamental e suporte escolar.

A medicação auxilia em boa parte dos pacientes e melhora a auto regulação de humor frente às frustrações; a psicoterapia deve centrar em mudanças comportamentais na família com medidas de manejo educacional (dar bons exemplos, dialogar com a criança, ter paciência ao falar, explicar o motivo das ordens dadas, etc.); e, em relação ao suporte escolar, deve-se oferecer apoio, reforço e abertura para um bom diálogo, pois esta abertura melhora o engajamento do aluno opositor às regras escolares e a se distanciar de maus elementos.

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Criador do Neurotópicos, é Pedagogo, Neuropsicopedagogo e Estudioso de Filosofia Oriental há 30 anos, defende a prática da meditação para uma saúde física e mental plenas. Busca divulgar seu trabalho na área da educação como uma importante ferramenta a educadores.
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